ÁGUA: Prefeitura se reúne com MP, Corsan e CEEE na busca de solução para falta de abastecimento
Vanessa Martins

Uma das alternativas é a implantação do programa “Água, Vida, Cidadania”, que prevê a regularização de ligações clandestinas

Ainda no primeiro semestre deste ano deve ser implantado em Cachoeirinha o programa “Água, Vida, Cidadania”, da Corsan, que prevê a regularização de ligações clandestinas de água e a viabilização da tarifa social, que leva em conta o perfil socioeconomico das famílias atendidas. Esta é uma das possibilidades apontadas na reunião em que participaram a Prefeitura, a Corsan, a CEEE e o Ministério Público, nesta quarta-feira, 19.
O promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MP/RS Daniel Martini, juntamente com as promotoras Simone Keunecke e Fernanda Braun, buscou estabelecer metas e prazos para as alternativas apresentadas. O motivo são os desabastecimentos frequentes de água, que chegam a durar dias nas comunidades dos loteamentos Chico Mendes, Canarinho e União. Nestes dias muito quentes, a falta d'água é algo que castiga demais. 
A Corsan alega que existe um excesso de ligações clandestinas nos bairros. “A título de explicação, no bairro Chico Mendes são 425 residências e somente 18 são usuários, o restante é ligação clandestina. No bairro Canarinho, a situação é semelhante. Devido a elevação das temperaturas e ao consumo elevado, o abastecimento nas residências regulares está sem pressão suficiente para atender a demanda. Para contornar a situação de maneira temporária, só conseguimos atender com caminhão pipa”, diz o documento.
A Corsan também revela que os “gatos”, como este tipo de ligação é popularmente conhecido, ainda ocasionam um desperdício enorme de água tratada, chegando a 60% de perda. Por causa disso, o programa “Água, Vida, Cidadania”, cuja viabilidade está sendo analisada pela empresa para a região, busca regularizar as ligações à rede e conscientizar a população de que o “gato” acaba prejudicando a comunidade como um todo, além dos danos ambientais. O promotor Martini lembrou que já houve casos, em outro município, de contaminação da água em razão das ligações irregulares.
A gestora da unidade da Corsan de Cachoeirinha, Eliane Pacheco, ainda apontou outro problema: é que boa parte destas ligações clandestinas acontece porque ocupações irregulares, embaixo das antenas de transmissão da CEEE, não podem ser regularizadas. Seria preciso que as famílias saíssem daquele local e fossem realocadas, o que envolve a Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, Cidadania e Habitação, cujo trabalho de regularização fundiária requer muito mais tempo e recursos.
Além dos promotores de Justiça, o encontro contou com diretores e técnicos da Corsan, da CEEE, da secretária Aline Mello e do procurador-geral do município Alécio da Rosa.

Fonte www.cachoeirinha.gov.rs.br